21/08/2019 às 09h19min - Atualizada em 21/08/2019 às 09h19min

Ator Leno Sacramento de Cajazeiras no Bando de Teatro Olodum há 23 anos

Celebrado em 19 de agosto, o Dia do Artista de Teatro foi um gancho para os atores negros soteropolitanos expressarem a vontade de ver a arte negra mais presente na cidade, que é considerada a mais negra fora da África. Representados por pessoas brancas que pintavam o rosto com carvão de cortiça, os negros eram proibidos de participar de peças teatrais no século 19. A presença de pessoas negras era restrita à participação como músicos e, com o tempo, esses músicos começaram a aparecer no palco.

O Bando de Teatro Olodum foi também um "divisor de águas" na carreira do ator Leno Sacramento, que participa da companhia há 23 anos. "Eu entrei aos 18 anos, 'moreno', batista, racista e homofóbico", admitiu Leno, contando que o Bando foi responsável por lhe conscientizar. "Chegou um momento que me senti ofendido quando me chamavam de moreno, chegou um momento que a minha comunidade, em Cajazeiras, começou a me imitar quando eu deixei o meu cabelo 'black'... Eu fui enegrecendo", completou.Conforme o ator, é motivo de felicidade quando ele vê uma sala com alunos trabalhando e fazendo oficina com a companhia. 

En(Cruz)Ilhada

Dirigido e apresentado pelo ator Leno Sacramento há dois anos, o espetáculo 'En(Cruz)Ilhada' é, segundo ele, uma forma de abrir os olhos da sociedade. Falando sobre o genocídio da população negra, o artista decidiu estender o trabalho em uma trilogia, para falar sobre outras temáticas como intolerância racial e homofobia.

Após o 'En(Cruz)Ilhada', Leno já estreou 'Nas Encruza' e iniciou a produção de um outro espetáculo chamado 'Vielas', que vai contar as vivências de uma mulher negra. "Eu faço a produção para terreiros, escolas, praças... E aí eu não paro. Meu figurino já está gasto, e que prazer ter que reformar por estar usando", comemorou.

O ator acredita que a cultura está sofrendo com a desvalorização, mas pontuou que os artistas devem fazer o "trabalho de base" indo nas escolas, terreiros, igrejas e comunidades mostrar que o teatro funciona. "Como uma pessoa vai saber que teatro é legal se ela nunca assistiu a um espetáculo?", questionou, frisando que o avanço da tecnologia prejudicou o cenário da arte teatral em alguns pontos, mas beneficiou em outros. "O caminho é colar com a tecnologia, se adaptar e se adequar, sabendo o que os jovens estão dizendo... Além de continuar fazendo teatro", concluiu.

A Tarde 
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